
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscou se distanciar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e minimizou os vínculos de pessoas próximas ao governo com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, durante entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (15). Ao comentar a participação de autoridades em um evento promovido pelo banqueiro em Londres, Lula criticou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, mas também elogiou sua atuação à frente da corporação. O presidente manifestou saudade do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, cujo escritório familiar prestou serviços ao Master.
Lula falou sobre propostas do governo para resolver o endividamento das famílias brasileiras e sobre a preocupação com o aumento da dívida pública. Questionado sobre a redução da maioridade penal, Lula afirmou que, pessoalmente, é a favor de reduzir a idade para crimes hediondos. O presidente disse que é necessário primeiro aprovar a PEC da Segurança Pública para, em seguida, discutir a questão da maioridade penal. Ele afirmou que os estados não resolveram a questão da violência no país e que essa responsabilidade cabe ao governo federal. Nesta quinta-feira (15), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), retirou a PEC da Segurança da pauta.
Durante a entrevista, a jornalista Renata Lo Prete questionou Lula sobre a dificuldade de convencer a população de que o governo pretende apurar todas as responsabilidades no caso Master. Ela mencionou a atuação do ministro Flávio Dino, indicado pelo presidente ao STF, e lembrou que o magistrado era, até então, o integrante da Corte mais associado ao caso Vorcaro. Lula respondeu que outros ministros também estavam envolvidos no episódio. A relação entre Moraes e Vorcaro foi objeto de questionamentos devido a um contrato do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, com o Banco Master, que previa pagamentos de até R$ 129 milhões ao longo de três anos.
Sobre a proximidade com Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, Lula negou que o delegado fosse ligado pessoalmente a ele, mas admitiu tê-lo repreendido pela participação em uma festa promovida por Vorcaro em Londres, em abril de 2024. O presidente afirmou que a explicação do delegado não foi convincente e que ele "não precisava ter ido", mas reiterou que o delegado realiza um trabalho excepcional. Ao ser questionado sobre a permanência de Andrei no cargo caso seja reeleito, Lula evitou antecipar uma decisão.
Lula defendeu Ricardo Lewandowski, que comandou o Ministério da Justiça entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2026. Antes de assumir o cargo, o ex-ministro manteve vínculos profissionais com o Banco Master por meio de seu escritório de advocacia, que continuou prestando serviços à instituição até agosto de 2025 sob a administração de sua mulher e de seu filho. Lewandowski afirmou ter deixado de atuar pessoalmente como advogado do banco após assumir o cargo no governo.
Sobre o endividamento das famílias, Lula citou as versões do Desenrola e informou que a União poderá destinar R$ 150 bilhões para a compra de dívidas com desconto, possivelmente por 5% do valor original. Ele também mencionou o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) e a oferta de R$ 5 mil em crédito para a categoria, afirmando que pretende adotar as medidas sem comprometer o equilíbrio fiscal. O endividamento das famílias cresceu durante o governo Lula; segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias endividadas subiu de 76,7% em dezembro de 2024 para 78,9% em dezembro de 2025, chegando a 82% em julho de 2026.
Sobre a situação fiscal, Lula afirmou que o crescimento econômico é o caminho para equilibrar as contas públicas e citou os resultados de seus dois primeiros mandatos. Questionado sobre o aumento de dez pontos percentuais da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) durante o atual governo, o presidente reconheceu que o tema o preocupa, mas reiterou a intenção de estimular pequenos empreendedores e o consumo para fazer a economia crescer.
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