
O Ministério Público de São Paulo solicitou a condenação da deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP) por suposta transfobia contra a parlamentar trans Erika Hilton (PSOL-SP). A ação baseia-se em uma publicação feita por Campopiano na rede social X, um dia após a eleição, na qual ela questionou Erika sobre a ocupação de espaço político. O Ministério Público argumenta que a declaração ultrapassa os limites da liberdade de expressão e não possui proteção pela imunidade parlamentar, afirmando ainda que Erika não havia agredido ou citado Campopiano antes da postagem em questão.
Na publicação, Campopiano, que atualmente é vereadora em Praia Grande (SP), perguntou a Erika como era saber que "um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo". O Ministério Público pede o pagamento de pelo menos R$ 100 mil por danos morais coletivos, além de retratação pública em veículos de ampla circulação e a proibição de novas postagens consideradas transfóbicas, sob pena de multa. Segundo o órgão, a negação da identidade de gênero de parlamentar trans em redes sociais extrapola o debate político legítimo e pode configurar discriminação e violência política de gênero.
Campopiano recebeu 1,9 milhão de votos em 4 de outubro e foi a deputada estadual mais votada de São Paulo. Erika obteve 1,5 milhão de votos e tornou-se a mulher trans mais votada da história da Câmara dos Deputados. Em nota enviada ao jornal Folha de S.Paulo no dia 6, Campopiano classificou a postagem como uma "manifestação provocativa realizada no contexto de debate político nas redes sociais" e afirmou que não houve intenção de promover discriminação, violência ou hostilidade contra qualquer pessoa.
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