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Governo mantém sigilo sobre despesas de cartão corporativo e nega pedidos via Lei de Acesso à Informação

Dados indicam que 98% dos gastos da Presidência com o cartão corporativo estão sob restrição entre 2023 e 2026.

21/10/2026 às 17h32
Por: VV8 REDAÇÃO
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Foto: Gazeta do Povo
Foto: Gazeta do Povo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 20 de outubro, um documento autorizando a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos, bem como os da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e de seus cinco filhos, referentes aos últimos oito anos. A medida segue o anúncio feito pelo presidente durante debate na Band, no dia 18, em resposta ao senador Flávio Bolsonaro (PL). O senador manifestou-se em 21 de outubro afirmando que aceita abrir seus sigilos se o petista abrir os dados de seu ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e da primeira-dama. Flávio Bolsonaro autorizou o acesso às suas informações dos últimos 20 anos na Justiça Eleitoral, mas estabeleceu condições para que a medida alcance o presidente e pessoas próximas a ele.

Marcola é investigado em inquérito sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A Polícia Federal identificou repasses de R$ 249 mil da lobista Roberta Luchsinger ao ex-assessor; Marcola afirma que o valor era um empréstimo pessoal quitado, enquanto a lobista afirma que foi um auxílio por amizade. As autorizações sobre os sigilos não significam que as informações já estejam disponíveis para consulta pública.

Dados do Cartão de Pagamento do Governo Federal (CPGF) indicam que, entre 2023 e agosto de 2026, das despesas totais de R$ 84,54 milhões da Presidência da República, R$ 83,37 milhões foram mantidos sob sigilo, o que corresponde a aproximadamente 98,6% do total. Em 2023, o valor com sigilo foi de R$ 24,06 milhões; em 2024, R$ 26,32 milhões; e em 2025, R$ 22,73 milhões. Em 2026, até agosto, a Presidência já contabilizou R$ 10,25 milhões sob sigilo. Nestes casos, são visíveis apenas o mês, ano, valor e unidade administrativa, sem detalhes como data exata, nome do portador ou fornecedor. A classificação de despesas é fundamentada na proteção da segurança do presidente, familiares e equipes.

O Poder Executivo federal registrou 22.474 solicitações com "Acesso Negado" no portal Busca LAI entre 2023 e outubro de 2026. O maior volume ocorreu em 2023 (6.292), seguido por 5.613 em 2024, 5.535 em 2025 e 5.034 até outubro de 2026. As justificativas para os indeferimentos incluem proteção de dados pessoais, sigilo legal, segurança e caráter genérico do pedido.

O Ministério das Relações Exteriores indeferiu um pedido de setembro de 2026 sobre custos e detalhes de hospedagens em embaixadas para artistas e a primeira-dama, alegando que o requerimento era genérico e carecia de delimitação temporal ou geográfica. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) também negou pedidos de registros de entrada e saída de pessoas em agendas oficiais nos Palácios da Alvorada e do Planalto desde 2023, citando proteção à intimidade e risco à segurança de autoridades. Entre os pedidos negados pelo GSI estão registros relacionados a Fábio Luís Lula da Silva, Luís Cláudio Lula da Silva e ao Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. O órgão informou que compromissos públicos do presidente já são disponibilizados em transparência ativa no portal oficial da Presidência.

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