
A proposta de reforma do Orçamento da União apresentada pela equipe de Flávio Bolsonaro (PL) tem como objetivo funcionar como um novo teto de gastos, permitindo a flexibilização de percentuais mínimos de aplicação de recursos sem comprometer o rigor fiscal. A medida visa cobrir despesas essenciais e obrigatórias com o controle da dívida pública. O projeto busca retomar a lógica do teto aprovado em 2016 no governo de Michel Temer (MDB), que limitava a expansão de gastos à inflação.
Daniella Marques, principal auxiliar de Flávio na área econômica, defende a revisão das despesas por meio de "orçamento base zero" e a partilha da responsabilidade fiscal entre os Poderes. O economista e ex-ministro Adolfo Sachsida afirma que o ajuste deve ocorrer pelo controle dos gastos, sem a criação de novos tributos. A proposta ainda não detalha os percentuais alterados nas rubricas do Orçamento para atingir a meta de economia de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também defendeu reformas orçamentárias, desindexação de despesas e desvinculação de receitas em eventos realizados em 2025. O objetivo mencionado por ele era ampliar a capacidade de escolha sobre onde aplicar recursos e reduzir automatismos que limitam a gestão. Em resposta ao engessamento do Orçamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) critica o "sequestro" de verbas por emendas parlamentares, embora as despesas primárias obrigatórias representem 92% do total, enquanto apenas 8% são de livre destinação.
Durante o segundo turno das eleições, o ajuste fiscal tornou-se ponto de debate entre Lula e Flávio Bolsonaro. A campanha petista afirmou que a redução de até R$ 250 bilhões no Orçamento estudada pelo candidato do PL atingiria programas sociais e aposentadorias. Flávio Bolsonaro negou a afirmação e declarou compromisso em manter os benefícios. A equipe do candidato do PL prevê economia por meio da estrutura do Estado, com a extinção de ao menos 10 ministérios, cargos comissionados e despesas administrativas, além do combate a fraudes e retomada de privatizações.
A estratégia busca reduzir a necessidade de financiamento do governo para baixar os juros e aliviar o gasto com a rolagem da dívida. O candidato do PL estuda uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para ser encaminhada durante a transição, caso vença a eleição. Flávio Bolsonaro afirma que o governo atual é responsável pelo aumento da dívida pública, que atingiu R$ 11 trilhões, e sustenta que a taxa básica de juros poderia estar em 7% se houvesse confiança dos investidores, o que evitaria um gasto adicional de R$ 1 trilhão em quatro anos no pagamento de juros.
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