
Um levantamento realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo indica que o montante destinado a isenções de impostos, benefícios sociais e programas de crédito pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma R$ 405 bilhões em 2026. A ferramenta utilizada para o monitoramento contabiliza despesas federais em tempo real, incluindo renúncias de receitas e gastos com publicidade institucional. O valor total varia conforme novas medidas são anunciadas durante o período eleitoral.
O montante inclui a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 7 mil, programas como Bolsa Família, Pé-de-Meia e Gás do Povo, além de iniciativas fora do Orçamento, como o Desenrola Brasil e o Luz do Povo. Entre as medidas recentes citadas pelo jornal estão o reajuste de 15% no Bolsa Família, o programa Desenrola 3.0, a anistia de dívidas para microempreendedores e a proposta de tarifa zero no transporte público aos domingos.
Especialistas avaliam que a sequência de benefícios pode elevar o endividamento público. Selene Nunes, ex-secretária de Fazenda de Goiás, afirmou ao jornal Estadão que o custo econômico de subsídios ou riscos assumidos pelo governo é pago por alguém, seja no presente ou no futuro. Daniel Couri, consultor de orçamentos do Senado, mencionou a falta de compromisso com o ajuste fiscal. Já Marcus Pestana, diretor da Instituição Fiscal Independente, afirmou que o reajuste do Bolsa Família gera um gasto extra de R$ 24 bilhões em 2027.
Em documento enviado ao Congresso Nacional, o governo federal aponta a necessidade de revisar gastos para manter o arcabouço fiscal, com previsão de cortes de R$ 53,7 bilhões até 2030. A equipe econômica projeta déficits de R$ 15,8 bilhões em 2028 e R$ 14,9 bilhões em 2029, chegando a R$ 23 bilhões em 2030. O cálculo oficial do governo não incluiu o reajuste do Bolsa Família, o Pix de R$ 5 mil para microempreendedores nem o passe livre no transporte público.
O Ministério do Planejamento classifica as projeções como um exercício contábil e nega desequilíbrio nas contas. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República afirmou em nota que considera "descabida e metodologicamente insustentável" a classificação dos desembolsos como eleitorais, definindo as medidas como "ações indispensáveis" para manter jovens na escola, proteger empregos e conter a inflação. A pasta declarou que "governos não deixam de governar em ano de eleição".
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