
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanha as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com o objetivo de avaliar os rumos das relações diplomáticas entre os dois países. A relação entre Brasil e Estados Unidos enfrenta um período de incertezas desde a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros, situação que ganhou novos contornos após a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Miami.
A avaliação de interlocutores do governo petista indica que o resultado das eleições americanas, que renovam a Câmara dos Representantes e um terço do Senado, pode influenciar as tratativas bilaterais. As eleições de 3 de novembro são consideradas um teste da popularidade de Donald Trump e da força do Partido Republicano no Congresso. Para a gestão Lula, temas paralisados na relação com os Estados Unidos devem avançar apenas após o pleito, que ocupa a atenção da administração de Trump.
Atualmente, os Republicanos controlam as duas Casas legislativas, o que facilita a aprovação da agenda de Donald Trump. Caso os Democratas conquistem assentos, o presidente norte-americano poderá enfrentar mais obstáculos para aprovar projetos e poderá haver um aumento na fiscalização do Executivo pela oposição. O governo brasileiro avalia que uma mudança no cenário do Congresso pode favorecer discussões sobre meio ambiente e regulação de big techs, temas de interesse da gestão Lula que não possuem espaço na agenda conservadora de Trump.
As tratativas sobre o tarifaço foram retomadas em agosto, após contato entre Lula e Trump, mas perderam ritmo devido à incerteza sobre a composição do governo brasileiro após as eleições nacionais. O governo afirma que decisões politicamente sensíveis podem ser postergadas até que ambos os países tenham clareza sobre seus ambientes domésticos.
A crise diplomática é apontada pelo Palácio do Planalto como sendo influenciada pela relação entre membros da família Bolsonaro e autoridades norte-americanas, especialmente no Departamento de Estado. Adicionalmente, a saída de Flávio Bolsonaro para Miami, após o descumprimento de uma decisão judicial em 27 de outubro, impõe um desafio à diplomacia brasileira. A estratégia do governo Lula é manter o caráter institucional das tratativas e evitar que o caso do senador impacte negativamente o diálogo entre Brasília e Washington.
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