
A Justiça tornou réus 12 denunciados por queda de avião da Voepass que matou 62 pessoas. Em depoimentos à PF, os ex-diretores Marcel Sarquis Moura e Carlos Alberto Costa apresentaram versões divergentes sobre quem era responsável pelas manutenções das aeronaves. Marcel alegou que a responsabilidade seria do piloto-chefe Raphael Limongi, enquanto Carlos afirmou que, após uma mudança estrutural, a área de manutenção passou para o setor de operações sob supervisão de Marcel.
A Polícia Federal destacou em seu relatório final que o organograma e o Manual Geral de Operações definem que o diretor de operações deve assegurar a conformidade técnica das aeronaves, atribuindo a responsabilidade a Marcel. O delegado André Ribeiro informou que o ex-diretor teria conhecimento de problemas no equipamento de gelo meses antes do acidente e não adotou medidas preventivas.
Durante os depoimentos, ambos os ex-diretores negaram que houvesse orientações para que pilotos ou mecânicos não reportassem falhas. No entanto, a Polícia Federal apontou uma "cultura de não reporte" e uma gestão que priorizava a operação da frota em detrimento da segurança. O relatório mencionou a existência de um grupo de WhatsApp onde membros da diretoria supostamente pressionavam o setor operacional para omitir panes até que as aeronaves retornassem à base em Ribeirão Preto.
Os réus incluem os executivos José Luiz Felício Filho, Marcel Sarquis Moura, Carlos Alberto Costa, Eric Consoli, David da Costa Faria Neto, Tiago Passucci Morani, Raphael Limongi de Figueiredo, Juliano Flores Pacheco, William Schmidt Agatz, além dos funcionários Marcos Hiroyuki Sato, Alex de Souza Leandro e Rafael Gimenez Rodrigues. O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, com a aeronave ATR 72-500 que realizava o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). A companhia também reiterou 'seu respeito às autoridades e sua solidariedade aos familiares das vítimas do voo 2283'.
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