
A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos é objeto de investigação pela Polícia Federal (PF). O relatório da corporação busca esclarecer as circunstâncias do deslocamento, a logística utilizada e a possível participação de terceiros. A investigação também apura se houve descumprimento das medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que incluíam a proibição de deixar o país e a entrega de passaportes.
Especialistas em segurança, como Sérgio Gomes e Fernando Montenegro, apontam que a viagem apresenta características compatíveis com uma "extração internacional". Segundo Gomes, o termo refere-se à suspeita de que a saída não teria sido uma viagem particular, mas resultado de uma articulação prévia para viabilizar a retirada do parlamentar. Montenegro identifica elementos como uso de transporte privado, intermediários e mecanismos de dissimulação, descrevendo o cenário como uma "recuperação assistida não convencional". Ele afirma que não há improviso quando se rompe bloqueios de vigilância de um Estado soberano.
A Polícia Federal busca identificar como o senador saiu de Brasília, chegou à fronteira argentina e embarcou para os Estados Unidos. A investigação analisa registros migratórios na Argentina, onde foram identificadas três entradas em menos de uma hora no dia 27. Uma das hipóteses é que o senador tenha utilizado um jato executivo para chegar a Buenos Aires e, posteriormente, outro avião para Porto Iguaçu, onde aguardaria a família. O advogado Willer Tomaz negou que sua aeronave ou empresas vinculadas tenham sido utilizadas pelo senador.
Outra possibilidade em análise pela PF é que o senador tenha realizado um trajeto terrestre de aproximadamente 1.600 quilômetros entre Brasília e a fronteira com a Argentina. O trecho internacional foi realizado por uma empresa argentina, cujo voo custou US$ 150 mil e foi pago por um intermediário nos Estados Unidos. A imprensa americana apontou Jason Miller, assessor de Donald Trump, como possível responsável pela organização da viagem.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou que o governo americano tenha participado da saída do senador, afirmando que ele possuía visto válido para entrar no país. Já O advogado mexicano Simón Levy, próximo do presidente Trump, afirmou que uma operação teria sido arquitetada por Rubio. A Justiça argentina determinou a preservação de imagens de câmeras na fronteira e no aeroporto de Porto Iguaçu para auxiliar na identificação de veículos e passageiros.
Flávio Bolsonaro não é foragido e não possui condenações no Brasil. Ele é investigado em dois inquéritos no STF: um sobre suposta lavagem de dinheiro a partir de apostas e outro sobre o financiamento do filme Dark Horse. A defesa do senador afirma que ele decidiu deixar o país devido ao que considera perseguição política e rejeita o termo "fuga". O senador não é réu e não há pedidos de indiciamento até o momento.
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