
A Polícia Federal planejava concluir uma das principais frentes da Operação Compliance Zero em agosto, mas o cronograma de investigações sobre o Banco Master sofreu atrasos devido a depoimentos cancelados ou remarcados. O caso é tratado como um dos maiores escândalos financeiros e políticos do país. Nesta quinta-feira (15), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um diretor do banco BRB prestaram depoimento, mas as oitivas não resolveram o atraso acumulado nos interrogatórios. Com o segundo turno das eleições marcado para 25 de outubro, a avaliação de quem acompanha as investigações é de que o cenário dificilmente mudará nos próximos dias.
A rodada mais recente de adiamentos envolve testemunhas que poderiam esclarecer a atuação do Banco Central e sua relação com o Master. A Polícia Federal busca reconstruir reuniões, comunicações e decisões envolvendo ex-servidores da autarquia investigados por suspeita de favorecer o banco de Daniel Vorcaro. O controlador do BTG Pactual, André Esteves, deveria depor em 5 de outubro, mas a defesa pediu a mudança alegando compromissos profissionais, sem nova data definida. Em 7 de outubro, a oitiva de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, foi cancelada a pedido de seus advogados; a Polícia Federal ainda não definiu nova data para ouvi-lo sobre o que ele sabia sobre a relação entre ex-servidores da autarquia e Vorcaro.
As duas oitivas integram a mesma linha de apuração que já ouviu o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino. Oficialmente, as justificativas das defesas são processuais, alegando falta de acesso integral aos autos para preparar os depoimentos. No entanto, investigadores apontam como outros fatores a proximidade do segundo turno e a incerteza sobre o ambiente político após as urnas. O caso envolve diversos setores, incluindo o Executivo, Congresso, Banco Central, BRB, STF e personagens em disputas eleitorais. Dependendo do resultado das eleições, mudanças no governo ou na composição do Congresso podem alterar como os inquéritos serão recebidos em 2027.
Vorcaro foi ouvido presencialmente pela Polícia Federal nesta quinta-feira (15) na unidade Papudinha, em Brasília, onde está preso há sete meses. A expectativa era de que ele falasse sobre a tentativa de venda do Banco Master ao BRB e sobre negociações de carteiras de crédito com indícios de irregularidades. Segundo a defesa, Vorcaro responderia às perguntas e sustentaria a legalidade da operação financeira, barrada pelo Banco Central em setembro de 2025. Outro depoimento ligado ao grupo "A Turma", agendado para 24 de setembro, foi adiado por pedidos da defesa para análise de relatórios e provas; a oitiva ocorreu em 30 de setembro, data em que Vorcaro negou conhecer ou integrar a estrutura. Seu pai, Henrique Vorcaro, também prestou depoimento no mesmo dia e manteve a mesma linha de manifestação.
Em agosto, a Polícia Federal solicitou mais 60 dias para concluir a investigação sobre operações envolvendo o Master e o BRB, prazo que termina em outubro com diversas oitivas travadas. O ex-sócio de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, teve o depoimento adiado três vezes; a oitiva marcada para 3 de agosto foi suspensa por pedido da defesa. O senador Jaques Wagner (PT-BA) também teve a oitiva adiada devido a problemas técnicos no acesso ao material e não possui nova data definida. A Polícia Federal contabiliza que pelo menos 20 oitivas tiveram datas afetadas desde o início da operação em novembro de 2025, que passou a abranger suspeitas de fraude financeira, atuação de servidores do Banco Central, relações com agentes políticos e movimentações internacionais.
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