
A Polícia Federal (PF) informou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a existência de riscos "concretos e atuais" de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixasse o Brasil para permanecer por longo período no exterior. O parlamentar viajou aos Estados Unidos nesta terça-feira sem cumprir a ordem do magistrado de entregar seus passaportes.
Flávio Bolsonaro é alvo de três inquéritos na Corte, incluindo uma suposta sociedade oculta com o advogado Willer Tomaz em uma empresa utilizada para lavagem de dinheiro e evasão de divisas, que teve R$ 6 bilhões bloqueados por Moraes na semana passada. Para a PF, o profissional teria capacidade de bancar o senador por um período prolongado em Miami, onde mora desde o mês de agosto. A autoridade policial afirmou no pedido a Moraes que Tomaz dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje.
Segundo aliados de Flávio e do próprio governo dos Estados Unidos, o senador viajou a Miami com a família em uma operação arquitetada por correligionários próximos e pelo secretário de Estado do país, Marco Rubio. Para a Polícia Federal, Flávio Bolsonaro já teria uma estrutura estabelecida no país norte-americano para facilitar uma estadia prolongada.
A autoridade policial também apontou ao magistrado uma declaração recente do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de que o irmão deveria deixar o Brasil caso perdesse a eleição presidencial, e de que o próprio senador dispõe de poder econômico para permanecer no exterior. O documento da PF registrou que Eduardo Bolsonaro foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo.
Os investigadores mencionaram a suspeita de que parte dos recursos enviados aos Estados Unidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, por intermédio do empresário Antonio Freixo para supostamente financiar o filme "Dark Horse", sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), possa ter sido utilizada para custear a permanência de Eduardo no país. O documento afirma que não está descartada a hipótese de que parte desses valores tenha sido destinada ao custeio da permanência de Eduardo Bolsonaro em território estadunidense.
Em entrevista a um programa dos Estados Unidos na semana passada, o ex-deputado cassado afirmou que "se meu irmão não vencer, sou a favor de que ele deixe o país. Sim, com certeza". Eduardo vive nos Estados Unidos desde março de 2025, em situação que classificou como "autoexílio", e obteve do governo americano o Green Card, documento que permite a residência de estrangeiros no país por tempo indeterminado.
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