
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou para os Estados Unidos após ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A saída ocorreu dois dias após a derrota no segundo turno, em que o petista venceu por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos. O deslocamento do senador aconteceu após ele descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que exigia a entrega de seus passaportes à Polícia Federal (PF) e o impedia de deixar o Brasil. Como o prazo não foi cumprido, a Polícia Federal cancelou os passaportes do senador nesta terça-feira.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que emitirá vistos para Flávio e seus familiares, permitindo a entrada no território norte-americano. A manifestação oficial não confirma a concessão de asilo político, mas apenas a autorização de entrada e permanência por meio de visto. O senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em um inquérito que envolve o advogado Willer Tomaz, crime que ele nega.
O advogado mexicano Simón Levy, que se identifica como aliado de Donald Trump, afirmou que Washington articulou uma operação para proteger o senador e alegou que o governo dos Estados Unidos autorizou asilo político ao brasileiro. No entanto, não foram apresentadas provas dessa concessão ou da existência da mencionada "Operação Alba". Levy sugeriu ainda que o senador poderia organizar a oposição a Lula a partir dos Estados Unidos.
A situação ocorre em período de eleição de meio de mandato nos Estados Unidos, marcados para 3 de novembro, momento em que o governo de Donald Trump enfrenta desafios relacionados à economia e à disputa pelo controle do Congresso. A concessão de vistos a um político estrangeiro envolvido em disputa com o Judiciário de seu país pode aumentar a pressão sobre o governo republicano e gerar questionamentos sobre o uso da estrutura diplomática para beneficiar aliados.
O senador Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos no mesmo dia em que Donald Trump fez comentários negativos sobre as eleições brasileiras durante um comício no Texas. O presidente norte-americano afirmou que o processo eleitoral brasileiro não lhe pareceu positivo e, anteriormente, descreveu o resultado da disputa entre Lula e Flávio como "mais uma eleição fraudulenta", sem apresentar provas de fraude. Trump também questionou a prorrogação do horário de votação determinada pela Justiça brasileira devido a problemas climáticos e de transporte.
A saída de Flávio Bolsonaro causou repercussão no Partido Liberal (PL). A sigla convocou uma reunião de emergência em Brasília para avaliar o cenário após a confirmação da saída do senador. O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio, havia negado inicialmente que o colega tivesse deixado o Brasil. Após a apuração do resultado das eleições, Flávio questionou o resultado e anunciou que pediria a anulação da eleição, embora o PL tenha reconhecido a vitória de Lula.
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