
Milhões de pessoas compareceram às urnas nos Estados Unidos nesta terça-feira (3/11) para as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. O pleito pode redefinir a configuração no Congresso norte-americano e os rumos de assuntos internos do país, além de influenciar a política externa do presidente Donald Trump. Atualmente, a maioria dos políticos eleitos para a Câmara e para o Senado pertence ao mesmo partido de Trump, cenário que favorece sua gestão com menos resistências legislativas. Pesquisas indicam que os democratas podem conquistar a maioria em uma ou ambas as Casas do Congresso, o que poderia dificultar a implementação de suas propostas e comprometer os dois últimos anos de mandato.
As eleições deste dia definiram o controle da Câmara dos Representantes e de parte do Senado, além da eleição de governadores de 36 estados. Atualmente, os Republicanos controlam as duas Casas; uma derrota pode dificultar a aprovação da agenda legislativa de Trump e permitir que a oposição amplie investigações sobre o governo, convoque autoridades e fortaleça a fiscalização do Executivo. O republicano concorre com uma aprovação na faixa de 30%, em meio a insatisfação com a economia e ações governamentais em temas domésticos.
Decisões na política externa também geram insatisfação entre os eleitores, incluindo o aumento dos combustíveis associado à guerra contra o Irã e as operações migratórias do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). A advogada internacionalista Clarita Maia afirma que autoridades americanas alertaram aliados sobre possíveis novas operações militares contra o Irã após as eleições. Segundo a especialista, um Congresso de oposição poderia exigir esclarecimentos sobre fundamentos jurídicos, custos e objetivos estratégicos dessas ações. Em declaração à Fox News, Trump mencionou que interromperia a ajuda econômica anual aos Estados Unidos para Israel, citando um acordo anterior para cessar o pagamento de US$ 4 bilhões por ano.
Maia explica que uma eventual perda da maioria republicana não necessariamente tornaria Trump menos ativo no exterior, mas elevaria o custo político de determinados arranjos e concessões devido à menor capacidade institucional de sustentá-los. No caso de Israel, a reconfiguração do Congresso pode pressionar o republicano a encerrar o conflito no Irã por questões de custos econômicos. Além disso, a relação com aliados da Otan pode ser questionada após o anúncio de Trump sobre a redução da presença militar norte-americana no continente.
Sobre a América Latina, Clarita Maia afirma que uma possível vitória dos democratas poderia abrir um campo de diálogo entre governos mais alinhados à esquerda. Essa avaliação é compartilhada por interlocutores do presidente Lula, que apostam em uma mudança na configuração política dos EUA para ampliar o diálogo com o país. A advogada destaca que uma nova maioria deve estimular os governos latino-americanos a utilizar a diplomacia parlamentar quando divergirem da Casa Branca. Trump também pode enfrentar resistência para manter sua política tarifária e poderá ser obrigado a negociar com a oposição para avançar em iniciativas internacionais.
A internacionalista Rebeca Lucena aponta que o resultado das urnas pode servir como termômetro para as eleições presidenciais de 2028 e para a capacidade de Trump construir um sucessor, afetando a dinâmica interna do Partido Republicano quanto à manutenção de suas prioridades políticas.
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