
O deputado federal e candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), Alfredo Gaspar (PL-AL), não terá um mandato eletivo em 2027. Com isso, ele retorna a Alagoas com planos de fortalecer a base e, em dois anos, deve disputar a Prefeitura de Maceió. Gaspar assumiu o comando do diretório estadual do PL alagoano no início do ano, com planos de disputar uma das duas cadeiras ao Senado e de construir uma aliança da direita ao redor do candidato vitorioso ao governo do estado, João Henrique Caldas, o "JHC".
Meses depois, as prioridades mudaram e ele foi escolhido para ser vice de Flávio. Apesar de integrar a chapa presidencial, Gaspar não deixou de lado as articulações estaduais e agora deve reorganizar o diretório e tentar ampliar a base. Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, de 56 anos, é advogado e fez carreira no Ministério Público estadual antes de entrar na política em 2020. Em 2015, à frente da promotoria da capital, foi indicado pelo então governador Renan Filho (MDB) para ser Secretário de Segurança Pública. Um ano depois, foi afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que vetou integrantes do MP de exercer cargos no Executivo sem deixar efetivamente a carreira.
De volta à promotoria, foi procurador-geral de Alagoas entre 2017 e 2020, quando pediu exoneração do MP para poder concorrer à Prefeitura de Maceió pelo MDB. Naquele pleito, liderou o 1º turno, mas perdeu para JHC no 2º turno. Retornou ao comando da Secretaria de Segurança Pública no segundo mandato de Renan Filho em 2021, mas rompeu com o governador um ano depois e migrou para o União Brasil, se lançando e se elegendo deputado federal no ano seguinte. No Congresso, aproximou-se da oposição bolsonarista. Entre 2025 e 2026, foi relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Gaspar foi alvo de um pedido de investigação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) por suposto estupro de vulnerável. O caso foi posteriormente arquivado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Após destaque conquistado pela posição, migrou para o Partido Liberal em março e passou a comandar a sigla em Alagoas depois da saída de JHC da legenda. Meses depois, foi escolhido para ser vice de Flávio Bolsonaro em uma chapa puro-sangue. O PL em Alagoas conquistou duas cadeiras na assembleia legislativa, dentre elas a de Cabo Bebeto, e o partido espera compor o governo JHC em troca de apoiar o tucano contra Renan Filho (MDB).
Aliados do deputado afirmam que pleitear o comando da capital é o "caminho natural" para Gaspar. Embora Lula tenha vencido em Alagoas no 1º e no 2º turno, Maceió deu 52% dos votos a Flávio em ambos os turnos. Com a derrota nas urnas, Flávio passou a afirmar que as eleições foram fraudadas e saiu do Brasil rumo aos Estados Unidos, apesar de um pedido de retenção de seus passaportes expedido pelo ministro Alexandre de Moraes. Gaspar não fez questionamentos ao sistema eleitoral, agradeceu aos eleitores, mas defendeu a saída do senador do país e afirmou que a direita é "perseguida".
Gaspar ganhou destaque no cenário nacional como relator da CPMI do INSS, que pediu o indiciamento do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O relatório seria rejeitado por manobra do governo, mas deu visibilidade para ele e para a oposição. Se confirmada, a candidatura em 2028 não seria a primeira vez de Gaspar na disputa. Em 2020, foi candidato do MDB ao cargo de prefeito, liderando o 1º turno, mas perdendo para JHC no 2º turno. Em 2028, ele poderá se opor ao tucano, uma vez que este deverá tentar emplacar o sucessor Rodrigo Cunha (sem partido), atual prefeito e que foi vice de JHC. O MDB ainda deve se reorganizar após a derrota deste ano.
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