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Lula classifica PCC e CV como terroristas para a comunidade brasileira

Presidente afirma que facções não se enquadram no conceito de terrorismo de Estado utilizado pelos Estados Unidos

15/10/2026 às 22h41
Por: VV8 REDAÇÃO
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Ricardo Stuckert/PR
Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (15/10), que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são "terroristas para a comunidade brasileira", mas não se enquadram no tipo de terrorismo que os Estados Unidos pretendem caracterizar. A declaração ocorreu durante sabatina na TV Globo, em resposta à decisão do governo de Donald Trump de classificar as duas facções como organizações terroristas estrangeiras.

O presidente argumentou que Washington associa o terrorismo a ações como os ataques de 11 de setembro de 2001 e tentativas de golpe de Estado. Segundo Lula, as facções brasileiras têm como objetivo obter dinheiro por meio de atividades criminosas, e não praticar terrorismo de Estado. Ele afirmou que, enquanto os Estados Unidos referem-se a terrorismo de Estado ao mencionarem o tema, o caso das facções no Brasil é focado em lucro financeiro.

Durante a entrevista, Lula informou que o governo brasileiro propôs aos Estados Unidos uma parceria para combater o crime organizado e o narcotráfico, baseada na experiência da Polícia Federal (PF). A proposta foi entregue por escrito ao republicano. O presidente também citou a aprovação da Lei Antifacção, que aumenta as penas para integrantes de organizações criminosas, e defendeu a ampliação da atuação federal na segurança pública por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

A administração Trump anunciou em maio a classificação do PCC e do Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO), medida que entrou em vigor em 5 de junho e permite a aplicação de medidas jurídicas e financeiras nos Estados Unidos, incluindo restrições a pessoas e empresas que forneçam apoio material às organizações. O governo brasileiro criticou a classificação por considerar que ela pode afetar a soberania nacional. A medida não altera automaticamente a legislação brasileira. Em setembro, Trump cobrou ações mais duras contra as facções, mas o Brasil contestou as críticas e destacou medidas já adotadas contra o crime organizado.

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