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Donald Trump mantém postura ambígua em relação a Flávio Bolsonaro e líderes da direita na América Latina

Presidente dos Estados Unidos evitou endosso à candidatura do senador brasileiro, mas declarou apoio a nomes como Javier Milei e Nayib Bukele

31/10/2026 às 04h23
Por: VV8 REDAÇÃO
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Divulgação/Donald Trumo
Divulgação/Donald Trumo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve uma postura ambígua em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência do Brasil durante o período eleitoral. Diferentemente do apoio explícito oferecido a outros líderes da direita latino-americana, o republicano evitou declarar endosso ao senador e afirmou que não havia tomado partido. Após a derrota do brasileiro, Trump questionou a votação sem apresentar provas de fraude, mas também se recusou a respaldar a tentativa de Flávio de se apresentar como presidente eleito.

Ao ser questionado pela primeira vez sobre a eleição brasileira, Trump disse que o resultado parecia indicar fraude, mas destacou sua suposta neutralidade. Ele afirmou: “Bem, para mim, pareceu péssimo. Achei que foi uma situação de péssima aparência. Não tomei partido, mas, francamente, parecia mais uma eleição fraudulenta”. O norte-americano também declarou manter uma boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmando: “Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele”. Trump justificou sua neutralidade na disputa alegando que o petista teria solicitado que ele não tomasse partido.

A postura de Trump contrasta com o histórico de aproximação com lideranças conservadoras da região. Na Argentina, o presidente manifestou apoio explícito ao presidente Javier Milei, a quem chamou de “MAGA de ponta a ponta”. Em El Salvador, o americano demonstrou alinhamento com Nayib Bukele, elogiando sua política de segurança e recebendo o líder em eventos ligados ao movimento conservador. No caso brasileiro, porém, o apoio não se traduziu em endosso público à candidatura de Flávio nem em respaldo à contestação do resultado eleitoral, diferindo da relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que recebeu apoio explícito de Trump na campanha de 2022.

Em setembro, Trump afirmou que todos os candidatos que apoiou na região haviam vencido. Entre os exemplos citados estavam Javier Milei e o colombiano Abelardo de la Espriella, a quem Trump declarou ter gostado e decidido apoiar durante a campanha. Em junho, após a eleição colombiana, o presidente americano parabenizou De la Espriella e manifestou interesse em construir uma relação “poderosa” entre os Estados Unidos e a Colômbia. A relação com Milei também é marcada por demonstrações de proximidade e apoio econômico, incluindo um pacote de US$ 20 bilhões anunciado pelo governo dos Estados Unidos à Argentina. Com Nayib Bukele, a aproximação se manifesta na cooperação em segurança e na defesa do modelo adotado pelo governo salvadorenho.

Após o segundo turno, realizado em 25 de outubro, Trump classificou a eleição brasileira como “terrível” e disse que o resultado parecia indicar uma votação fraudada. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Lula com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, que foi derrotado por uma diferença de 4,43 milhões de votos. Em 27 de outubro, em um comício no Texas, Trump voltou a insinuar irregularidades no processo eleitoral brasileiro, reiterando sua neutralidade na disputa.

No dia 28 de outubro, ao ser questionado sobre a possibilidade de Flávio entrar nos Estados Unidos, Trump afirmou que autorizaria a entrada do senador. O brasileiro havia deixado o país após uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para entrega de passaportes em uma investigação. A autorização foi concedida por meio do humanitarian parole. O assessor de comunicação de Donald Trump, Jason Miller, confirmou ter providenciado o jato particular que transportou Flávio e seus familiares da Argentina aos Estados Unidos.

Após chegar a Miami e publicar uma carta se autodeclarando “presidente eleito”, Flávio foi questionado por Trump sobre a afirmação. O presidente americano evitou validar a declaração e afirmou: “Não vou me envolver. Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver”. Em 30 de outubro, a imprensa estadunidense informou que o presidente americano não pretende reconhecer Flávio como líder do Brasil, embora autoridades ouvidas pela agência Reuters não tenham descartado uma eventual mudança de posição.

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